segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Jacó foi para a selva

Jacó recebeu uma missão,
um grande trabalho para o qual foi contratado
Cabisbaixo ele pegou um avião,
voou até a selva para a qual foi enviado

Lá chegando, se sentiu meio perdido
entre tantas luzes, tanta gente, tantas cores,
todas elas de um cinza esmaecido;

Jacó foi para a selva, conheceu outra vida
mas sentiu-se preso, deslocado
estava sozinho em terra de pedra polida

Tanta gente em roupas bonitas,
disfarçadas, fugitivas de si mesmas
tanta gente em rotas já escritas,
condenadas, prisioneiras como lesmas
num labirinto de sal,
como presas de cães de caça
caçando no jardim,
como o pregador de esquina,
esperando pelo fim.

Caminho dos Cegos

Sentado atrás da porta, um velho observa.
O futuro é uma eterna ameaça...
Ao som das trombetas, a verdade cairá no esquecimento
As correntes da vida pausarão por um momento.

Não conheceu a dor, nem a tristeza
Viveu antes de inventarem a morte
Por isso mesmo sentiu-se perdido
Pois quando não há fim, não há nenhum sentido.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pássaro sábio, onde vais?

Tu que voa, vê o vento
vai e volta, vive solto
Que me conta lá do alto?
Lá dos mundos que eu invento?

O que a gente inventa
vale mais do que o que a gente viu,
o novo, o fresco,
o que causa arrepio
O que a gente inventa
vale mais do que o que a gente viu

Tu que vê o que eu sonhei,
aqui me olha, tão calado,
te arrependeu, lá em cima,
por enfim ter voado?

O que a gente inventa
vale mais do que o que a gente viu
O que a gente inventa
vale mais do que o que a gente viu

Ah, tanta coisa eu contaria,
sobre as histórias lá do céu,
mas tu, aqui, só repete
que a graça acabaria
E que o que a gente inventa
vale mais do que o que a gente viu
O que a gente inventa
vale mais do que o que a gente viu

Pássaro sábio, me conta
que a gente, quando se encontra,
perde o pouco que tinha,
quando o sonho vira real,
deixa de ser sonhado
e se torna sonho acabado.

sábado, 21 de agosto de 2010

Um susto

Perde-se um som, sem dono, roubado;
Que voa, vadio, com o vento que chora ali fora.
Um grito, suspiro, canto abafado,
vai e volta, levando silêncio embora.

Os homens, de pé, temeram contradizer um iludido.
Assustados, pequeninos não tiveram coragem.
Agora voa o agudo chamado gemido,
doce pétala de metal, mariposa selvagem,
pra de onde nem deveria ter saído.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Deep Inside

As mão dadas
são nossas asas
são nossas casas,
nossas escadas
para um céu de alucinações,
sonhos, sorrisos,
velhas virtudes,
e doces visões

Subindo, subindo,
por todos os lados,
nós não vamos parar por aqui,
Ainda há mundos a descobrir,
nós não vamos parar por aqui,
com tantos olhares que nunca vi,
não podemos parar por aqui.

A mente solta num salto
me leva lá longe,
me manda de volta,
me esconde, me solta
E longe de tudo, eu revejo
a doce história,
que sempre me conto,
de um lindo sorriso,
que um dia encontro,
que me leva pro lugar
onde os sonhos são feitos,
e o chão sobre mim são as nuvens,
são o meu caminho perfeito,
são as nossas mãos dadas,
são as nossas asas,
as nossas asas amadas
as luzes do nosso pensar...
e o depois, não importa.
Por que se preocupar em ir,
quando se acabou de chegar?

sábado, 3 de julho de 2010

Três

Dois caminhos, duas pernas;
Duas idéias, duas vontades;
Uma escolha, uma decisão

Dois pontos de vista,
duas pessoas, duas idades,
dois desejos, uma só opção

Dois corpos, duas formas,
duas diferentes batidas
para um só coração.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Conversa doida(doída)

Desculpa o tom de voz,
é que meus ouvidos são ruins.
Desculpa a escuridão,
é que meus olhos não sabem ver pra dentro.
Desculpa a solidão,
é que eu não sabia acabar essa rima.