sábado, 21 de agosto de 2010

Um susto

Perde-se um som, sem dono, roubado;
Que voa, vadio, com o vento que chora ali fora.
Um grito, suspiro, canto abafado,
vai e volta, levando silêncio embora.

Os homens, de pé, temeram contradizer um iludido.
Assustados, pequeninos não tiveram coragem.
Agora voa o agudo chamado gemido,
doce pétala de metal, mariposa selvagem,
pra de onde nem deveria ter saído.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Deep Inside

As mão dadas
são nossas asas
são nossas casas,
nossas escadas
para um céu de alucinações,
sonhos, sorrisos,
velhas virtudes,
e doces visões

Subindo, subindo,
por todos os lados,
nós não vamos parar por aqui,
Ainda há mundos a descobrir,
nós não vamos parar por aqui,
com tantos olhares que nunca vi,
não podemos parar por aqui.

A mente solta num salto
me leva lá longe,
me manda de volta,
me esconde, me solta
E longe de tudo, eu revejo
a doce história,
que sempre me conto,
de um lindo sorriso,
que um dia encontro,
que me leva pro lugar
onde os sonhos são feitos,
e o chão sobre mim são as nuvens,
são o meu caminho perfeito,
são as nossas mãos dadas,
são as nossas asas,
as nossas asas amadas
as luzes do nosso pensar...
e o depois, não importa.
Por que se preocupar em ir,
quando se acabou de chegar?

sábado, 3 de julho de 2010

Três

Dois caminhos, duas pernas;
Duas idéias, duas vontades;
Uma escolha, uma decisão

Dois pontos de vista,
duas pessoas, duas idades,
dois desejos, uma só opção

Dois corpos, duas formas,
duas diferentes batidas
para um só coração.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Conversa doida(doída)

Desculpa o tom de voz,
é que meus ouvidos são ruins.
Desculpa a escuridão,
é que meus olhos não sabem ver pra dentro.
Desculpa a solidão,
é que eu não sabia acabar essa rima.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uns olhares

Olhando pra trás,
pro povo de roupa colorida,
cabelo comprido
estamos vendo como tudo era diferente
mente aberta,
gente esperta, olhando em frente,
buscando a beleza do pensamento livre,
vida bela lá adiante.

E nós aqui, olhando pra trás,
vendo belos seus amores,
sonhando com tempos que não voltam;
Como as flores,
que caem do cabelo

Mas mirando uns aos outros,
nossos olhares não se cruzam.
Vemos o que deixamos as nossas costas,
somos nossas próprias respostas,
pois entre nós há um espelho.

sábado, 22 de maio de 2010

Pôr-do-só

Como no fim do dia ensolarado,
longo, belo
Quando alguém percebe ter ninguém a seu lado,
longe, esquecido

Mas e de quem são as pegadas,
então?

Como no fim do dia ensolarado,
do topo do morro até o meio do céu,
o laranja vai deixando o azul,
ficando pra trás,
e lá no alto é só ele que resta
o azul e os pingos brancos
E aí se percebe sozinho
E aí vem a escuridão.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Contra-quem?

Ontem eu cheguei na sala,
Na hora que o mundo se cala.
E havia um robô lá sentado,
com seu carregador de asneiras ligado

E o que ele quis dizer,
fazendo beep beep pra mim,
foi que eu tô muito errado,
que tô ficando mal falado,
e que não dá mais assim

Então entendi, pra meu espanto,
que as pessoas se preocupam tanto
com meu cabelo comprido
mas nada com o que eu tenho sentido.