Agora que não há mais opção,
já que foi feito máquina
o que era coração,
pra fazer o mundo girar é preciso apelar
pro fogo, pra fagulha, pra fortuna
E por a idéia estar presa a uma só cor,
agora já não posso montar um beija-flor.
A leveza da certeza se foi por rancor,
O peso da consciência pesa mais que meu amor;
Eu podia subir numa árvore de estrelas
e me ver cair, de trás pra frente.
Sendo leve como suas folhas,
eu podia ver o que a gente sente.
E sentir.
domingo, 21 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Canto
Eu sento no chão, não preciso cadeira
Canto, de canto, a terra inteira
As flores, o fauno, o falso e o falante
São idéias na mente, livros na estante
E a dúvida do dono, do doente
É a certeza do cego, o que sente:
"Pra onde vai, quem não cai
quem não sai de cima de si?"
Eu caí!
Canto, de canto, a terra inteira
As flores, o fauno, o falso e o falante
São idéias na mente, livros na estante
E a dúvida do dono, do doente
É a certeza do cego, o que sente:
"Pra onde vai, quem não cai
quem não sai de cima de si?"
Eu caí!
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Essência
No mesmo plano, de novo eu sigo
Revi as pegadas: sinais de perigo
Sem pressa, ando e aprendo enfim;
Importa o caminho, não o fim.
O castelo sonhado se fez em destroços,
Agora eu planto flores num jardim de ossos
[parte de um grande projeto]
Revi as pegadas: sinais de perigo
Sem pressa, ando e aprendo enfim;
Importa o caminho, não o fim.
O castelo sonhado se fez em destroços,
Agora eu planto flores num jardim de ossos
[parte de um grande projeto]
domingo, 6 de dezembro de 2009
Modos estranhos
Hoje são os pés que se moldam aos sapatos
E as pessoas desmentidas por seus atos
E não importa qual é o cheiro das flores da estrada
Pois eu ando no meu carro com a janela fechada.
E as pessoas desmentidas por seus atos
E não importa qual é o cheiro das flores da estrada
Pois eu ando no meu carro com a janela fechada.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Mostra uma Flor
Me mostra, homem,
me mostra uma flor.
Tu que é esperto,
que faz, que constrói
que vive do certo,
que escreve e destrói,
me mostra, homem,
de tua mão, uma rosa.
Faz ela bela,
faz ela cheirosa
me mostra, homem,
mestre artesão,
senhor do saber,
faz, com a tua mão,
ao menos uma vez,
o que tua mãe,
em mundos inteiros, fez.
Fábricas, oficinas
Brinquedos de aço,
máquinas assassinas.
Fácil é construir a morte,
A cabeça do homem cai,
O dentro dela não é forte.
Orgulhoso que é, esse homem,
senhor do falatório,
diante dessa proposta,
entra no laboratório,
vai fazer o que mais gosta,
tentar se mostrar poderoso,
construir e lapidar
um projeto grandioso.
Até quando terminar,
se sentindo orgulhoso,
se apontará como criador,
terá feito sua própria rosa,
perfumada, sem vida, sem amor.
Me mostrará, homem,
a flor que tu criou...
as dúvidas agora somem,
veremos a quem enganou.
E no fim, lá no cantinho
Medroso que é, eu já sei,
tu vai esquecer do espinho.
me mostra uma flor.
Tu que é esperto,
que faz, que constrói
que vive do certo,
que escreve e destrói,
me mostra, homem,
de tua mão, uma rosa.
Faz ela bela,
faz ela cheirosa
me mostra, homem,
mestre artesão,
senhor do saber,
faz, com a tua mão,
ao menos uma vez,
o que tua mãe,
em mundos inteiros, fez.
Fábricas, oficinas
Brinquedos de aço,
máquinas assassinas.
Fácil é construir a morte,
A cabeça do homem cai,
O dentro dela não é forte.
Orgulhoso que é, esse homem,
senhor do falatório,
diante dessa proposta,
entra no laboratório,
vai fazer o que mais gosta,
tentar se mostrar poderoso,
construir e lapidar
um projeto grandioso.
Até quando terminar,
se sentindo orgulhoso,
se apontará como criador,
terá feito sua própria rosa,
perfumada, sem vida, sem amor.
Me mostrará, homem,
a flor que tu criou...
as dúvidas agora somem,
veremos a quem enganou.
E no fim, lá no cantinho
Medroso que é, eu já sei,
tu vai esquecer do espinho.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Então
E então foi aqui que me revi
Voava, delirava e acordei.
Tudo era escuro ao meu redor
Invisível aos olhos que ceguei;
Dia claro e luz nenhuma,
Meu braço inerte, leve pluma,
A mente lá longe, página rasgada,
Folheia a si mesma, história inventada;
Que doce agressão é a morte,
Como a vingança de um trago forte,
Ida por passagem de eterna mudança,
A um lugar de nenhuma lembrança.
Voava, delirava e acordei.
Tudo era escuro ao meu redor
Invisível aos olhos que ceguei;
Dia claro e luz nenhuma,
Meu braço inerte, leve pluma,
A mente lá longe, página rasgada,
Folheia a si mesma, história inventada;
Que doce agressão é a morte,
Como a vingança de um trago forte,
Ida por passagem de eterna mudança,
A um lugar de nenhuma lembrança.
domingo, 29 de novembro de 2009
Caia
Inverter os lados,
quebrar cadeados,
saltar sobre o salva-vida,
há um caminho, uma saída.
Encontra a ti, do lado de fora,
Anda logo, uma hora vai embora.
A saída fica pra dentro de nós...
Só somos nós estando sós.
quebrar cadeados,
saltar sobre o salva-vida,
há um caminho, uma saída.
Encontra a ti, do lado de fora,
Anda logo, uma hora vai embora.
A saída fica pra dentro de nós...
Só somos nós estando sós.
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