sexta-feira, 30 de maio de 2014

Pupilas

Que mal há
em não enxergar?
Que Mauá
faz esquiná
com teu coração,
ó João,
eu já sabia desde tresontonte
Mas eu ler essas letrinhas
sem compreender bulhufas
não é culpa das pupilas
nem de qualquer coisa outra
senão da cabeça de vento Anísio
Meira, mediano e ameno
Que falta faz a simpatia,
um raciocíneo
 e se pega nas vista
e um par de zóio pequeno

terça-feira, 4 de março de 2014

Desdouto

O poema: não compreendi
a lembrança: dela esqueci.

Caduqueei, me atrasei
chequei encharcado
nas leituras que: nem sei
deixei de lado
por não querer aprender
por não me ver, afinal, diplomado

não que eu sentisse algum desprezo
por aquele doutor - e seu conhecimento escorrendo, insuportavelmente preso,
por debaixo do chapeu - que facilmente rimaria com o ... -
firmamento, se eu me dispusesse à tais facilidades
para as quais já não vejo necessidade(s)

Mas o poema, que havia dele para compreensão?
Ora, que tola falha minha!
a lembrança, agora lembrí!
bastaria traduzir, palavra por palavra:
onde tiver "sim", leia-se pão!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Eis

Começou sem perceber
e passou despercebido;
Floriu no escuro
onde foi encontrado;
Achou-se perdido,
primeira metade de um par
Contou a si
sobre um momento infinito
quando, de uma tarde insípida,
sartou esperneante
falando de si, somente

De súbito: um poema
Mas não era eu o poeta

sexta-feira, 29 de março de 2013

Acústico

Me toca o disco
De trás
me traz
 pra frente

Na de ponta-da-cabeça
Na melodiosa perna dormente

Disperso pesopesado
Alevia-me um fardo
E nadamais importa

Me entoco com o disco nofone
Disfa[r]ço cenário-paisagem
Árvre-nuv-e-céu
Sem verbo nem eira nem beira
E nada mais mimporta

Dispeço de um som pesado
Disfa[r]ço rabisco ideado
In nada mais importa

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Clausura Vítrea

Eu queria uma brisa
pra levar-me lá pra fora
uma suave lufada
numa hora inesperada
a me trazer um bem estar
a me buscar neste lugar
e me atirar impiedosamente na garoa da rua
refrescando o fervor da minha cara nua
mas...
com essa janela fechada não vai rolar

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Assoviar e estalar os dedos

Eu vou hoje escrever um manual de instruções
um tomo denso
mui extenso
que desvende a vida em mil lições

Tenho em casa uma pena reservada
pontiaguda e afiada
capaz de rasgar pele e carne
fibra e alma

Pena esta que me aguarda
em silêncio
ansiosa por mutilar-me o pensamento
E eu
que temo este momento
calo em mim
a toda hora
cada ideia que se aflora

Eu hoje vou desistir
de ensinar e de saber
Pois logo agora eu me vesti
sozinho
impecavelmente elegante
para o Baile do Poeta Pedante

Portanto vou-me indo
tenho ainda de calçar os meus sapatos
e na pressa
abandonei rima e métrica
pois tenho que aprender a amarrar os cadarços

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Birdland



Pé na pá
Birubá, Rumba Mamá
A pá e o pé na pá
Hum... só, a rir um sorrir
Pássaro lá, pé na pá
Terrá de pássarô, dê-pá-ssará
Só rir com covinhas
Cá vinhas, com covinhas
Só a rir
Pé; pá com pé
Cá-vava covinhas, cá - minhas
Covinhas sorri a cavar covinhas
Pé na pá e,
O qué qui há?
Á-cá-vava, vinhas covinhas passarava
Em terra de passarar
Quem tem ombro sabe dançar