terça-feira, 22 de novembro de 2011

Conta - Conto

Esquecida a taboada,
o lápis floresce
numa conta rimada;

E eis que me cresce
uma angústia cretina,
pois se acha e esquece
à moda repentina,
tal obra sublime
que fugaz me escapa,
por carma ou por crime;

Eu falo sem saber do que,
até fazer a caneta cansada.
E ela, aqui se vê,
falou sem dizer nada.

sábado, 19 de março de 2011

Solitude

Você nunca imaginou estar tão só
Até seus olhos se fecharem
Você nunca percebeu estar tão só
Até suas fugas se acabarem
Você nunca percebeu por si só
Que as mãos dadas acenaram
Que os olhares se apagaram
Que as promessas caducaram
E que, no fechar do sorriso,
os dentes todos sumiram
um de cada vez,
um depois do outro,
como um-dois-três.

domingo, 5 de dezembro de 2010

É o jeito

Bem, o que posso dizer?
Você disse que esse era o jeito,
Esse era o caminho,
você disse, meu irmão.
Uma novidade, mais um doce,
o cavaleiro se reconhece
quando encontra o dragão

domingo, 14 de novembro de 2010

Seguindo a Canção

Se eu pudesse trapacear,
tudo seria mais fácil
Mas me colocaram em um jogo
E nunca explicaram as regras
E nisso eu faço papel de bobo
pintando saltos e passos de dança
Num véu de vazio e trevas

Se houvesse uma estrada
e eu a tivesse de atravessar,
tudo faria mais sentido.
Eu pintaria uma faixa de segurança
num asfalto colorido
com cores quentes e frias
Uma estrada entre campos floridos
com flores e grama macia

E um dia eu percebo
Que já estou do lado certo
Indo rumo ao mistério
Eu tenho alguém por perto
E assim, andando de mãos dadas
O aqui parece boa idéia.
Seguimos chutando as pedrinhas
pela longa beira da estrada

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Toque, o Tato, as Gotas de Chuva Humana

Desfizeram a paisagem
De tanta foto do mesmo lugar
E nem a onda é novidade
Pra quem nunca viu o mar

Nosso presente corre de lado
Como gotas de chuva humana
Voa idéia, voa recado
Voa imagem transmitida
Mas para o tato não há saída

Asas de aço, obras de deus
Ainda vão achar a cura
Pra distância, para o toque
No metal que a mão segura

Mas o poema será lenda
E um gráfico expressará o amor
E uma estátua de ferro e cimento
O homem vai chamar de flor

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Véu

Vim e vou,
Fui e sou:
Divisão ou proteção
Pálpebra para a retina,
Salvadora e velha cortina,
estendida em frente ao palco
Pintura na parede sem cor,
Eu refugio a cada ator
Salvação e maldição
Vim e vou,
Fim eu sou.