As garotas vêm e voam,
nas asas de suas vestes.
Se pintam de feias, caricaturas
Carregam espelhos, carmas, pinturas.
E no alto de seus saltos,
muitos pisam o salão.
Os seus pares são a noite,
são levados pela mão
Nos ternos, nos sorrisos em conjunto
Se vê a solidão
E o riso abafa a consciência,
dançarinos, brilham expostos
a duvida de sua existência...
Dancem, dancem,
a valsa dos passos perdidos
dancem os seus rituais
aos pecados já esquecidos
Dancem, dancem,
a valsa dos passos perdidos
Dance quem apedrejou
A glória dos anjos caídos
Mas pra onde irá a memória,
de uma noite sem final?
E quem contará uma história
De que ninguém participou?
O que se fez, ou se foi
Não se sabe onde ficou
Ninguém verá a beleza
Do rosto que se mostrou.
Quando não houverem mais olhos
e as imagens continuarem lá
Fotografias sem mais razão,
Quadros em branco para emoldurar
Dancem, dancem,
a valsa dos passos perdidos
dancem aos seus ideais,
assombrados, sem mais sentido
Dancem, dancem,
a valsa dos passos perdidos
Dance quem nunca escutou
A história dos deuses fugidos
terça-feira, 13 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Fuga
Por onde passei olho a calçada...
e percebo: na poeira, não há pegadas!
Será que meu caminho foi uma ilusão
ou meus pés que não tocaram o chão?
Pra onde vou, enquanto não sei quem sou?
E tonto que estou, ainda por cima,
eu, que esperava me salvar em uma rima,
preso numa sela ensolarada,
me sinto em fuga alucinada,
tentando fugir de um medo que não veio,
agora entendo - não há escolha,
quando se começa no meio.
e percebo: na poeira, não há pegadas!
Será que meu caminho foi uma ilusão
ou meus pés que não tocaram o chão?
Pra onde vou, enquanto não sei quem sou?
E tonto que estou, ainda por cima,
eu, que esperava me salvar em uma rima,
preso numa sela ensolarada,
me sinto em fuga alucinada,
tentando fugir de um medo que não veio,
agora entendo - não há escolha,
quando se começa no meio.
domingo, 21 de março de 2010
Depois
Agora que não há mais opção,
já que foi feito máquina
o que era coração,
pra fazer o mundo girar é preciso apelar
pro fogo, pra fagulha, pra fortuna
E por a idéia estar presa a uma só cor,
agora já não posso montar um beija-flor.
A leveza da certeza se foi por rancor,
O peso da consciência pesa mais que meu amor;
Eu podia subir numa árvore de estrelas
e me ver cair, de trás pra frente.
Sendo leve como suas folhas,
eu podia ver o que a gente sente.
E sentir.
já que foi feito máquina
o que era coração,
pra fazer o mundo girar é preciso apelar
pro fogo, pra fagulha, pra fortuna
E por a idéia estar presa a uma só cor,
agora já não posso montar um beija-flor.
A leveza da certeza se foi por rancor,
O peso da consciência pesa mais que meu amor;
Eu podia subir numa árvore de estrelas
e me ver cair, de trás pra frente.
Sendo leve como suas folhas,
eu podia ver o que a gente sente.
E sentir.
sábado, 6 de março de 2010
Canto
Eu sento no chão, não preciso cadeira
Canto, de canto, a terra inteira
As flores, o fauno, o falso e o falante
São idéias na mente, livros na estante
E a dúvida do dono, do doente
É a certeza do cego, o que sente:
"Pra onde vai, quem não cai
quem não sai de cima de si?"
Eu caí!
Canto, de canto, a terra inteira
As flores, o fauno, o falso e o falante
São idéias na mente, livros na estante
E a dúvida do dono, do doente
É a certeza do cego, o que sente:
"Pra onde vai, quem não cai
quem não sai de cima de si?"
Eu caí!
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Essência
No mesmo plano, de novo eu sigo
Revi as pegadas: sinais de perigo
Sem pressa, ando e aprendo enfim;
Importa o caminho, não o fim.
O castelo sonhado se fez em destroços,
Agora eu planto flores num jardim de ossos
[parte de um grande projeto]
Revi as pegadas: sinais de perigo
Sem pressa, ando e aprendo enfim;
Importa o caminho, não o fim.
O castelo sonhado se fez em destroços,
Agora eu planto flores num jardim de ossos
[parte de um grande projeto]
domingo, 6 de dezembro de 2009
Modos estranhos
Hoje são os pés que se moldam aos sapatos
E as pessoas desmentidas por seus atos
E não importa qual é o cheiro das flores da estrada
Pois eu ando no meu carro com a janela fechada.
E as pessoas desmentidas por seus atos
E não importa qual é o cheiro das flores da estrada
Pois eu ando no meu carro com a janela fechada.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Mostra uma Flor
Me mostra, homem,
me mostra uma flor.
Tu que é esperto,
que faz, que constrói
que vive do certo,
que escreve e destrói,
me mostra, homem,
de tua mão, uma rosa.
Faz ela bela,
faz ela cheirosa
me mostra, homem,
mestre artesão,
senhor do saber,
faz, com a tua mão,
ao menos uma vez,
o que tua mãe,
em mundos inteiros, fez.
Fábricas, oficinas
Brinquedos de aço,
máquinas assassinas.
Fácil é construir a morte,
A cabeça do homem cai,
O dentro dela não é forte.
Orgulhoso que é, esse homem,
senhor do falatório,
diante dessa proposta,
entra no laboratório,
vai fazer o que mais gosta,
tentar se mostrar poderoso,
construir e lapidar
um projeto grandioso.
Até quando terminar,
se sentindo orgulhoso,
se apontará como criador,
terá feito sua própria rosa,
perfumada, sem vida, sem amor.
Me mostrará, homem,
a flor que tu criou...
as dúvidas agora somem,
veremos a quem enganou.
E no fim, lá no cantinho
Medroso que é, eu já sei,
tu vai esquecer do espinho.
me mostra uma flor.
Tu que é esperto,
que faz, que constrói
que vive do certo,
que escreve e destrói,
me mostra, homem,
de tua mão, uma rosa.
Faz ela bela,
faz ela cheirosa
me mostra, homem,
mestre artesão,
senhor do saber,
faz, com a tua mão,
ao menos uma vez,
o que tua mãe,
em mundos inteiros, fez.
Fábricas, oficinas
Brinquedos de aço,
máquinas assassinas.
Fácil é construir a morte,
A cabeça do homem cai,
O dentro dela não é forte.
Orgulhoso que é, esse homem,
senhor do falatório,
diante dessa proposta,
entra no laboratório,
vai fazer o que mais gosta,
tentar se mostrar poderoso,
construir e lapidar
um projeto grandioso.
Até quando terminar,
se sentindo orgulhoso,
se apontará como criador,
terá feito sua própria rosa,
perfumada, sem vida, sem amor.
Me mostrará, homem,
a flor que tu criou...
as dúvidas agora somem,
veremos a quem enganou.
E no fim, lá no cantinho
Medroso que é, eu já sei,
tu vai esquecer do espinho.
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